O sol mal nasceu e as barracas já estão montadas. O primeiro cheiro é o do pão quentinho, logo seguido pelos queijos que você reconhece só pelo aroma. Tomates brilhando com orvalho, pêras que pedem cuidado ao pegar, cogumelos que parecem ter saído da floresta naquela manhã. Os mercados de rua são o coração das cidades e vilas francesas, especialmente aos domingos. Ali, o tempo não corre. Ele se mede pelas estações do ano.
A diversidade de produtos impressiona. Há bancas com azeitonas de diferentes tons e sabores, embutidos artesanais pendurados como obras de arte, mel em tons que vão do dourado claro ao âmbar escuro. Os vendedores chegam cedo, alguns direto de suas fazendas e hortas, carregando o que colheram nas últimas horas. A frescura não é apenas uma qualidade, é uma promessa cumprida toda semana.
Cada barraca tem sua história. O apicultor fala do campo onde suas abelhas trabalham, o pescador conta de onde veio o vento daquela semana, o produtor rural resume seus dias em duas frases. Comprar é conversar, perguntar, ouvir. O cliente aprende a reconhecer o ponto certo do figo, as variações do leite, a diferença entre uma manteiga mais clara e outra mais amarela. Uma senhora explica como preparar determinado corte de carne, outra ensina o tempo certo de assar batatas com alecrim. Crianças ganham uma fruta para comer no caminho, vizinhos trocam receitas, velhos amigos combinam o almoço. A feira é uma escola de sensibilidade. Ensina a observar cores, a reconhecer cheiros, a aceitar que imperfeições são sinal de sabor verdadeiro.
Entre uma compra e outra, há quem pare para tomar um café numa barraca improvisada, há quem prove um pedaço de queijo oferecido com generosidade, há quem simplesmente caminhe observando a dança dos comerciantes com seus clientes. O mercado é teatro, é biblioteca, é sala de jantar ao ar livre.
Quando as sacolas pesam e a rua esvazia, o mercado deixa sua marca no bairro. O eco das vozes, a água no chão, a certeza de que a paisagem mais bonita do país é aquela que se monta e desmonta toda semana. Comida fresca e boa conversa: um patrimônio que não precisa de moldura.
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